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    "Os 10 mandamentos" por Rafael Reis (A BOLA)

05/04/16

Benfica reprova com 9.4 em teste alemão


O Benfica perdeu, hoje, com o Bayern de Munique por 1-0, num jogo a contar para os quartos de final da Liga dos Campeões. No Allianz Arena, os encarnados quase conseguiram resistir ao poderio dos alemães.

Foi um Benfica personalizado e a jogar como equipa grande, aquele que defrontou esta terça-feira a formação de Pep Guardiola. As águias sofreram o primeiro e único golo da partida ao minuto 2, por intermédio de Arturo Vidal, num cabeceamento indefensável já à entrada da pequena área.

Rui Vitória fez alinhar o mesmo onze da última partida e revelou coragem ao apresentar a estrutura ofensiva habitual com dois avançados: Jonas e Mitroglou. 


O histórico era inequívoco. Nas três visitas do Benfica a Munique, para defrontar o Bayern, o "melhor" que as águias tinham conseguido foi uma derrota por 4-1. E aconteceu duas vezes: primeiro, na Taça dos Campeões Europeus, em 1981/82; depois, para a Taça UEFA, em 1995/96. Pior só mesmo o embate em 1975/76, curiosamente também nos quartos de final da Liga dos Campeões, à data denominada Taça dos Campeões Europeus, onde os portugueses acabaram derrotados por esclarecedores 5-1.

Não se estranhou, portanto, que ao longo da semana tivesse sido vaticinado que o Sport Lisboa e Benfica não fosse sobreviver aos campeões alemães, no Allianz Arena. Pese a derrota, os encarnados não só sobreviveram, como conseguiram mesmo viver em Munique. 

No teste alemão, o Benfica reprovou com 9.4. Uma derrota, embora por números nada expressivos, não permitiu a aprovação, mas permite que a equipa que representa Portugal continue dentro da eliminatória e à procura da décima que lhe falta recuperar para seguir em frente. A décima que faltou na eficácia, a décima que faltou no detalhe do golo sofrido muito cedo e a décima que faltou por estar a jogar num terreno hostil. 


Eu considero que existem vitórias morais - não muitas, mas existem - e esta tem de ser uma delas. Hoje o Benfica não se apresentou ao seu melhor nível. Apresentou-se acima do seu melhor nível e foi por isso que, mesmo perdendo, conseguiu fazer história ao sofrer a sua derrota mais curta de sempre, em casa do colosso Bayern de Munique. Uma derrota que está expressa nos números, mas certamente não estará expressa na cabeça de jogadores e adeptos, até porque numa eliminatória um jogo equivale apenas a uma parte, estão jogados 90 dos 180 minutos que irão definir realmente quem vencerá a guerra. Para já, sabemos apenas quem venceu a primeira batalha.

Mas desengane-se aquele que pense que agora, a jogar dentro de portas, o Benfica assume a posição de favorito. As hipóteses continuam remotas, mas finalmente é possível falar-se disso: de hipóteses. O Benfica volta a ter que fazer melhor do que fez na sua história. Em Portugal, as águias somam dois empates e uma derrota nos três jogos realizados frente ao Bayern. É imperativo, por isso, que volte a aparecer o melhor Benfica da época, aquele que venceu e convenceu, na Luz, nos 5-1 aos Braga, ou aquele que defendeu e sofreu, em Espanha, na vitória por 1-2 sobre o Atlético de Madrid.

O Bayern terá certamente a palavra mais importante da eliminatória. Mais que mérito do Benfica, houve demérito dos alemães, que não apresentaram o futebol que já nos habituaram esta temporada, suspirando os portugueses por voltar a encontrar a desinspiração de Muller e companhia. E é por pensar no eclipse de Muller, que abro janela para aqueles que na minha opinião foram os destaques pela positiva, mas também pela negativa...


Fejsa 9 - O médio defensivo do Benfica foi o melhor jogador em campo. Intenso durante os 90 minutos, dominou nos duelos individuais e barrou estrategicamente os caminhos da baliza encarnada. Esteve a bom nível também na primeira fase de construção do processo ofensivo das águias.

Ederson 8 - O guarda-redes brasileiro fez um pouco de tudo e tudo bem. Defendeu o que havia para defender, comandou o sector defensivo e conseguiu até adivinhar a execução de um lance de bola parada estudado pela equipa adversária. Não podia fazer nada no golo.

Renato Sanches 5 - O jovem médio batalhou muito no meio campo e tentou ser útil no momento defensivo, mas perdeu a posse de bola algumas vezes em zonas proibitivas. Acusou o elevado grau de exigência do jogo.

Arturo Vidal 8 - O médio chileno foi dos poucos ao seu melhor nível no conjunto alemão. Muito rotativo e constantemente à procura de beneficiar da sua condição física, acabou por ser coroado com o golo da vitória logo nos primeiros minutos, estando perto de marcar, novamente de cabeça, noutra ocasião.

Neuer 7 - O guardião da selecção alemã evitou uma soberana ocasião de golo a Jonas.


Muller 3 - A habitual referência do processo ofensivo do Bayern esteve em noite não e acabou por contribuir decisivamente para o resultado curto dos bávaros. Uma exibição discreta, sem conseguir explorar as entrelinhas do Benfica, acabou por influenciar também o desempenho do homem mais adiantado, Lewandowski, que não conseguiu ter bola durante todo o encontro.


11/03/16

E agora, engenheiro?

nota introdutória: as declarações de Fernando Santos são puros devaneios do autor



William Carvalho, Danilo Pereira, Rúben Neves, João Mário, Adrien Silva, André André, Renato Sanches e Pizzi, uma lista de médios que parece interminável para quem só tem três vagas para a posição no seu sistema táctico e a possibilidade de seleccionar 23 jogadores, esperando-se que apenas 7 ocupem esse sector. Uma lista que é, de facto, interminável porque está incompleta, pois tem apenas os portugueses mais utilizados pelos principais emblemas da nossa liga 2015/2016. Uma lista que dará muitas dores de cabeça a Fernando Santos. Dores de cabeça boas... certo, mister? 

"Não está mal"
Não lhe vou falar de André Gomes, Raúl Meireles, João Moutinho, Danny ou mesmo de Tiago, porque aí lembrar-se-ia que destes 13 atletas de altíssimo nível, teria que deixar pelo menos seis de fora das contas, quase metade da tal lista interminável. Ainda menos ouso falar-lhe de Fábio Pacheco, ele que é apenas o jogador da Europa (sim caro leitor, de toda, mesmo toda toda a Europa) com mais desarmes por jogo, ou de Bernardo Silva, porque sei que para si ele ocupará uma das vagas destinadas ao ataque. E cá para nós, ainda bem. Até podia levá-lo como guarda-redes, um talento daqueles tem que começar cedo a vestir a nossa camisola das quinas.

"Fábio Pacheco? Agora é que me tramaste"
Não se preocupe, mister. Eu ajudo! Porque sei que você é um treinador aberto à crítica e às opiniões, é um privilégio que esteja a ler a minha no Minuto121, este espaço pessoal onde tenho o prazer de o receber e partilhar as ideias que tenho consigo. Vamos a isso?

"Chuta rapaz, estou a ler!"

Ponto prévio: a sua tarefa não é nada fácil. Gabo-lhe a sorte mas não queria estar no seu lugar. A minha opinião é apenas isso, a minha opinião, não tendo qualquer responsabilidade para além do que me diz a minha cabeça e do que veêm os meus olhos, tenho uma missão bem mais facilitada.

E por falar em opinião, ela é bem clara. Com tanta qualidade dentro de portas, não é necessário recorrer aos jogadores que actuam em ligas estrangeiras. Não é que esses jogadores não possam oferecer outras qualidades à equipa, como um maior conhecimento dos adversários que iremos defrontar ou, no caso de alguns deles, uma maior auto-confiança para disputar grandes competições. O que penso é que o entrosamento entre jogadores que disputam a mesma liga e estão habituados, semana após semana, a jogar o mesmo tipo de futebol seja benéfico. E não é preciso grandes argumentos para sustentar esta opinião, basta que nos lembremos que o nosso melhor percurso (finalistas, Euro 2004) foi conseguido à custa de um tridente de meio-campo com representantes da nossa liga, Costinha, Maniche e Deco. Por coincidência, à data, eram todos do Futebol Clube do Porto. Dos 8 que sobram, sai ainda Rúben Neves, o mais novo e que menos minutos realizou esta época. E já está! Aí temos as nossas 7 maravilhas!

Sei que o mister e quem me está a ler, irá ficar com a ideia de que aponto este exemplo para defender que o trio do Sporting Clube de Portugal, William, João Mário e Adrien, deverá ser aposta. Mas não penso dessa maneira. O motivo é essencialmente um, Danilo Pereira. Preterir Danilo em detrimento de William tem tudo para ser um erro crasso. No meu entendimento, a inclusão de Danilo no meio-campo da selecção é a única certeza. Sem desvalorizar a qualidade de Wiliam Carvalho, porque a tem, está neste momento bem atrás do jogador que veste de azul e branco, de uma forma que não acontece em mais nenhum duelo que possamos imaginar: Adrien-Sanches, Pizzi-André André, Adrien-João Mário ou mesmo João Mário-André André. 

Danilo Pereira é, portanto, a única certeza que tenho na minha cabeça e a única ausência que me faria desiludir com o mister, percebendo todas as outras escolhas que eventualmente vá tomar. Para as duas posições à sua frente, estas são as três soluções mais fortes e os motivos:

- Adrien e João Mário: a dupla de médios do Sporting garante criatividade q.b. e um entendimento perfeito, embora defensivamente não ofereça as melhores garantias;

- André André e Pizzi: o varzinista do FCP, encaixaria que nem uma luva na posição 8, bem próximo do seu colega de equipa, libertando Pizzi para as tarefas ofensivas e para o último passe.

- João Mário e Renato Sanches: perdia-se processos automatizados mas ganhar-se-ia qualidade individual, com três jogadores muito diferentes que têm, no entanto, em comum o facto de ser fortíssimos no transporte da bola.


De todas as combinações possíveis, Danilo Pereira como pêndulo com João Mário e Renato Sanches à sua frente, é aquela que mais prazer me daria ver brilhar com a nossa camisola!

Na posição 6, a de médio-defensivo, Danilo dá à selecção capacidade de marcação e desarme, velocidade, passe simples e eficaz, mas principalmente força. Muita força. O médio do Futebol Clube do Porto luta por cada bola como se fosse a última e é comum vê-lo a pedir mais esforço aos seus companheiros e a acreditar quando toda a sua equipa já desistiu, a prova que mentalmente será também uma adição muito benéfica para Portugal no Euro 2016.

João Mário é actualmente o centrocampista mais completo do futebol português. Com uma leitura de jogo acima da média e grande velocidade de aceleração e execução, o jogador do Sporting Clube de Portugal oferece critério ofensivo à equipa sem descurar o momento defensivo.

Renato Sanches, como o elemento mais adiantado a jogar na posição 8, tem características que não estão presentes em mais nenhum dos atletas desta lista. Possui uma irreverência única, muito própria da idade, capacidade de condução e de transportar toda a equipa para a frente de ataque, como mostra no Sport Lisboa e Benfica, e apresenta-se também como um jogador bastante rotativo e intenso nos duelos físicos, aliando tudo isto a um pontapé forte capaz de desbloquear jogos difíceis.

Um tridente com características muito diferentes mas unidos pela melhor semelhança: a qualidade!

É assim que penso. Agora a escolha é sua. Mais que um treinador e um seleccionador com qualidade reconhecida, você é engenheiro e por isso é especialista a resolver problemas complexos. E fossem todos os problemas da nossa selecção assim tão bons. Só lhe peço que termine o Euro 2016 assim como na imagem, a sorrir, porque os portugueses já merecem!

13/02/16

Os 10 mandamentos para o Euro 2016

                           
                                                      Artigo de Rafael Reis (A BOLA)
Com o Euro 2016 a ter o seu início no dia 10 de Junho, o tempo vai correndo a alta velocidade para nova participação de Portugal num grande certame internacional, para o qual parte com aspirações reforçadas, cabendo-lhe também limpar a má imagem competitiva deixada no Mundial 2014, no Brasil. A pouco mais de quatro meses do Europeu, sob que bases deve a Selecçáo Nacional apoiar-se para rubricar a prestação que tanto espera? 

1- Acertar em cheio no local de estágio. Neste ponto, Portugal já parece estar a beneficiar em relação à última competição, pois ao invés de escolher um quartel-general distante dos palcos em que disputou os seus encontros, como fez no Brasil, desta feita a FPF já acautelou a situação ao reservar Marcoussis, o Centro de Estágio da selecção nacional francesa de rugby, garantindo assim a sua estadia em Paris e num local tranquilo e propício ao treino. 

2- Manter o foco. Tal como em Campinas por altura do Mundial, a recepção à Selecção Nacional será bestial, em função dos muitos milhares de emigrantes e luso descendentes residentes em França. No entanto, a equipa terá de estar mentalmente acima deste êxtase, sabendo agradecer o apoio e passar de imediato a trabalhar com a responsabilidade de um conjunto que procurará conquistar um título altamente complicado. 

3- Ceder à tentação dos cachets. Nas semanas que antecederam o Mundial, Portugal ficou financeiramente a ganhar com uma digressão/estágio nos EUA completamente pago pela FIFA e no qual recebeu uma respeitável maquia referente ao cachet pelos encontros de preparação disputados. No entanto, o desgaste acumulado foi determinante para o que a equipa (não) jogou no Mundial. 


4- Preparar Ricardo Carvalho para liderar a defesa. Tendo em conta a idade avançada do defesa central do Mónaco, esta será a sua última participação numa grande competiçáo de selecções, um bálsamo que a equipa pode aproveitar face à enorme utilidade que o atleta ainda garante, tendo mesmo sido um dos melhores em campo em várias das partidas de qualificação para o Europeu em encontros nos quais em grande parte não há falhas a registar.

5- Manter a atitude revelada nos encontros qualificativos. Em todos os desafios desta Selecção Nacional, seja nos de maior qualidade exibicional seja nos de maior esforço e suor para garantir o melhor resultado, a atitide desta equipa foi inquestionável - era também regra na equipa de Portugal na era Paulo Bento, mas esgotou-se num dos ensaios-gerais, frente à República da Irlanda e penalizou a carreira da equipa quando mais interessava, na fase de grupos. 

6- Saber moderar/dosear as expectativas. É conhecida a mentalidade do adepto português, que se assemelha ao seu comportamento enquanto cidadão: exacerba as suas doses de optimismo sempre que se depara com uma situação favorável. Neste caso, contando com uma equipa em série vencedora, comandada por Cristiano Ronaldo, Portugal irá levar muita gente a sonhar e a posteriormente exigir o título e a equipa não pode acompanhar esse pensamento. 

7- Proteger Cristiano Ronaldo, sem negar a sua importância enquanto líder. A conquista da Bola de Ouro 2014 agradou a todos os elementos que compõem a equipa nacional; agora, numa competição de tamanha importância, o orgulho em contar com um futebolista de tão grande gabarito estará em protegê-lo e apoiá-lo o máximo possível em campo, evitando que se isole como única fonte potencial de sucesso colectivo. 

8- Seleccionar um ponta-de-lança fiável para a convocatória de 23. Estará aqui um dos principais desafios para Fernando Santos: seleccionar um ponta-de-lança com qualidade suficiente para representar uma equipa com as responsabilidades de Portugal. Desconhecendo-se a sua escolha, poderá afiançar-se que a melhor escolha não passaria por jogadores com grande distanciamento do golo, como Éder, ou a actuar em Segundas Ligas internacionais como Nélson Oliveira ou Lucas João… 

9- Não tremer perante a competitividade dos principais adversários. No Europeu, Portugal defrontará, caso como se espera chegue a fases mais adiantadas, rivais com aspirações iguais ou mesmo superiores como por exemplo a anfitriã França, que se apresentará na sua máxima força e apoiada por toda uma nação. 

10- Não proceder a demasiadas alterações na estrutura da equipa. Neste caso, parece um conselho evidente para quem trabalha e compete numa modalidade como o futebol, dado que alterações em demasia retiram automatismos determinantes ao bom funcionamento de uma equipa e isso mesmo notou-s nos primeiros tempos da era Fernando Santos, nos quais uma equipa quase completamente nova demorou a organizar-se, embora os resultados tenham sempre aparecido.

A nova morada de Canesin

Fernando Canesin é um dos nomes do momento na Jupiler Pro League. O médio brasileiro de 23 anos tem feito do principal escalão do futebol belga, o palco do seu processo evolutivo que vem ganhando forma nesta época ao serviço do modesto Oostende, clube que representa desde a temporada 2013/2014, após ter sido transferido proveniente do histórico Anderlecht, onde iniciou a sua carreira sénior aos 19 anos. 

Depois de nas duas primeiras épocas nos Côtiers ter totalizado 4.745 minutos e apontado 5 golos no campeonato, Canesin apareceu melhor do que nunca esta temporada e o registo de 7 golos em 2.084 minutos, ao qual ainda junta 6 assistências, é a face mais visível da fase de maturação que o jogador atravessa.





Canesin está a ser uma das revelações da equipa sensação na Bélgica.


A NOVA CASA TÁCTICA

Canesin fez escola como número 10. Na formação, o atleta de apenas 176cm ocupava em exclusivo a zona mais central do terreno, a do organizador de jogo, onde revelou os seus traços mais criativos que lhe valeram a viagem definitiva do Brasil - onde representou os desconhecidos Palestra, Rio Branco e Olé Brasil - até à Bélgica.

Na Bélgica, Fernando Canesin viu-se obrigado a adaptar o seu futebol e foi no Anderlecht que desde cedo começou a ser encostado, em algumas ocasiões, aos corredores ofensivos - predominantemente ao do lado direito - onde teria mais tempo e espaço para ter a bola e executar.


O ARRENDATÁRIO YVES VANDERHAEGHE



Foi, no entanto, com a chegada de Yves Vanderhaeghe ao comando técnico do Oostende, que o brasileiro passou a habitar em permanência no lado direito de um meio-campo com três médios de ataque, ganhando rotinas na posição e aproveitando o seu futebol híbrido para acrescentar novas soluções à equipa.

Vanderhaeghe foi um médio internacional belga na década de 2000 e o conhecimento daquela zona do terreno foi factor determinante para fixar Canesin na sua nova morada e tirar o melhor aproveitamento do jogador, conforme comprova o crescimento dos seus números em acções de golo: 13 no total.





O médio tem deliciado os adeptos do Oostende com a sua nova forma de jogar, juntando a um futebol criativo e atractivo, golos em partidas decisivas como foi o caso do bis frente ao Genk.

Canesin é agora um maestro que joga na faixa. Pensa como um 10, corre como um 10, passa como um 10 e define os ritmos de jogo como um 10, sem que ocupe a posição 10. Esta inteligência táctica veio trazer opções sem limite à equipa sensação da liga, que não só passou a ter um criativo extra na faixa, o que lhe permite ter uma dinâmica posicional muito interessante, como também um jogador que ao longo dos últimos anos evoluiu a sua capacidade de drible e aceleração fruto de pisar a posição: é quase como jogar com 12.








A sua capacidade de aceleração torna-o um jogador útil a aproveitar a profundidade e os ataques rápidos a partir da faixa, mostrando também um fortíssimo jogo sem bola na movimentação ofensiva da equipa: é o cérebro.



Os dados estatísticos mostram que a qualidade dos cruzamentos é o tendão de aquiles de Canesin, o que não estará alheio da formação do jogador ser em posições interiores e raramente ter jogado como extremo puro.


PALAVRA DE ESPECIALISTA


Vagner, o guarda-redes brasileiro que brilhou no Estoril Praia, em declarações exclusivas ao Minuto121: "Conheci o Fernando pessoalmente aqui [Bélgica] mas já tinha ouvido falar dele. É um grande jogador, com muita qualidade técnica e muito inteligente, o que aliado à velocidade que tem faz dele um jogador muito perigoso. É um dos grandes nomes da bela campanha que o Oostende vem fazendo esta época!", confessou o guardião que se encontra ao serviço do Mouscron na liga belga.


O SENSACIONAL OOSTENDE


Falar no crescimento de Fernando Canesin é falar do crescimento do Oostende, o clube de uma cidade com cerca de 69.000 habitantes.

Depois do 8.º lugar em 2013/2014 e da 10.ª posição em 2014/2015, o Oostende ocupa o 4.º posto da liga com 43 pontos em 25 jogos e prepara-se para acabar a temporada dentro do top 6 que dá acesso ao playoff de apuramento do campeão e a possibilidade de lutar por uma vaga nas competições europeias, uma batalha que se espera extremamente complicada para um clube que nunca disputou provas internacionais.


Mas se a batalha espera-se complicada, é no general Fernando Canesin Matos que os adeptos depositam grande parte da sua confiança. Será que a nova morada de Canesin ajudará o Oostende a mudar-se para outras paragens?

«Tenho saudades do Ronaldo do Manchester United»

          Artigo de Francisco Santos Lima (A BOLA TV)

Tenho saudades do Ronaldo do Manchester United… A irreverência, o estilo, os dribles e as fintas, os tomahawks, até a forma como galgava o relvado em direção à baliza contrária, tudo isso se foi perdendo em prol de se tornar o Melhor Jogador do Mundo.




Ronaldo percebeu que a continuar da forma como jogava no United, não iria convencer os críticos de forma sistemática a elegê-lo como o Melhor do Mundo. O que fez então? Mudou-se para o Real Madrid, começou a estar mais perto da baliza, apurou o instinto goleador, tornou o corpo uma verdadeira montanha com um físico portentoso e a partir daí foi um constante bater de recordes. Isso mostra não só o crescimento como jogador, mas também como homem, como alguém que percebeu qual o caminho que deveria seguir, mesmo deixando para trás algumas das suas características mais inatas, para dessa forma atingir o topo do futebol mundial, até porque contou e conta com um rival de peso: Lionel Messi.

A primeira impressão com que fiquei na primeira época de Cristiano Ronaldo no Real Madrid, é que passou a ter de carregar a equipa às costas, enquanto o Barcelona, com Messi à proa, praticamente jogava de olhos fechados. Esforço a dobrar para o português, enquanto o argentino além de mostrar a qualidade enquanto jogador, tinha também uma equipa a saber jogar para si.

Não critico a mudança de Ronaldo de Manchester para Madrid, até porque foi uma forma de provar não só a ele, mas também a todos os adeptos do futebol, que poderia continuar num plano estratosférico e manter, agora no mesmo palco, a luta pelo título de Melhor do Mundo, com Messi. Se contarmos os títulos coletivos, Ronaldo não teve tanta felicidade quanto Messi, mas olhando para o plano individual, se calhar não esperaríamos que quebrasse tantos recordes e se tornasse numa lenda num clube com uma história tão rica.

Apesar de tudo, mantenho o que disse no início, tenho saudades do Ronaldo do Manchester United, em Old Trafford não duvido que as saudades por CR7 serão bem maiores que as minhas.