Artigo de Rafael Reis (A BOLA)

Com o Euro 2016 a ter o seu início no dia 10 de Junho, o tempo vai
correndo a alta velocidade para nova participação de Portugal num grande
certame internacional, para o qual parte com aspirações reforçadas, cabendo-lhe
também limpar a má imagem competitiva deixada no Mundial 2014, no Brasil. A
pouco mais de quatro meses do Europeu, sob que bases deve a Selecçáo Nacional
apoiar-se para rubricar a prestação que tanto espera?
1- Acertar em cheio no
local de estágio. Neste ponto, Portugal já parece estar a beneficiar em relação
à última competição, pois ao invés de escolher um quartel-general distante dos
palcos em que disputou os seus encontros, como fez no Brasil, desta feita a FPF
já acautelou a situação ao reservar Marcoussis, o Centro de Estágio da selecção
nacional francesa de rugby, garantindo assim a sua estadia em Paris e num
local tranquilo e propício ao treino.
2- Manter o foco. Tal como em Campinas por
altura do Mundial, a recepção à Selecção Nacional será bestial, em função dos
muitos milhares de emigrantes e luso descendentes residentes em França. No
entanto, a equipa terá de estar mentalmente acima deste êxtase, sabendo
agradecer o apoio e passar de imediato a trabalhar com a responsabilidade de um
conjunto que procurará conquistar um título altamente complicado.
3- Ceder à
tentação dos cachets. Nas semanas que antecederam o Mundial, Portugal ficou
financeiramente a ganhar com uma digressão/estágio nos EUA completamente pago
pela FIFA e no qual recebeu uma respeitável maquia referente ao cachet pelos
encontros de preparação disputados. No entanto, o desgaste acumulado foi
determinante para o que a equipa (não) jogou no Mundial.
4- Preparar Ricardo Carvalho para liderar a
defesa. Tendo em conta a idade avançada do defesa central do Mónaco, esta será
a sua última participação numa grande competiçáo de selecções, um bálsamo que a
equipa pode aproveitar face à enorme utilidade que o atleta ainda garante, tendo mesmo sido um dos melhores em campo em várias das
partidas de qualificação para o Europeu em encontros nos quais em grande parte
não há falhas a registar.
5- Manter a atitude revelada nos encontros
qualificativos. Em todos os desafios desta Selecção Nacional, seja nos de maior
qualidade exibicional seja nos de maior esforço e suor para garantir o melhor
resultado, a atitide desta equipa foi inquestionável - era também regra na
equipa de Portugal na era Paulo Bento, mas esgotou-se num dos ensaios-gerais,
frente à República da Irlanda e penalizou a carreira da equipa quando mais
interessava, na fase de grupos.
6- Saber moderar/dosear as expectativas. É
conhecida a mentalidade do adepto português, que se assemelha ao seu
comportamento enquanto cidadão: exacerba as suas doses de optimismo sempre que
se depara com uma situação favorável. Neste caso, contando com uma equipa em
série vencedora, comandada por Cristiano Ronaldo, Portugal irá levar muita
gente a sonhar e a posteriormente exigir o título e a equipa não pode
acompanhar esse pensamento.
7- Proteger Cristiano Ronaldo, sem negar a sua
importância enquanto líder. A conquista da Bola de Ouro 2014
agradou a todos os elementos que compõem a equipa nacional; agora, numa
competição de tamanha importância, o orgulho em contar com um futebolista de
tão grande gabarito estará em protegê-lo e apoiá-lo o máximo possível em campo,
evitando que se isole como única fonte potencial de sucesso colectivo.
8-
Seleccionar um ponta-de-lança fiável para a convocatória de 23. Estará aqui um
dos principais desafios para Fernando Santos: seleccionar um ponta-de-lança com
qualidade suficiente para representar uma equipa com as responsabilidades de
Portugal. Desconhecendo-se a sua escolha, poderá afiançar-se que a melhor
escolha não passaria por jogadores com grande distanciamento do golo, como
Éder, ou a actuar em Segundas Ligas internacionais como Nélson Oliveira ou
Lucas João…
9- Não tremer perante a competitividade dos principais
adversários. No Europeu, Portugal defrontará, caso como se espera chegue a
fases mais adiantadas, rivais com aspirações iguais ou mesmo superiores como
por exemplo a anfitriã França, que se apresentará na sua máxima força e apoiada
por toda uma nação.
10- Não proceder a demasiadas alterações na estrutura da
equipa. Neste caso, parece um conselho evidente para quem trabalha e compete
numa modalidade como o futebol, dado que alterações em demasia retiram
automatismos determinantes ao bom funcionamento de uma equipa e isso mesmo notou-s nos primeiros tempos da era Fernando Santos, nos quais uma equipa quase
completamente nova demorou a organizar-se, embora os resultados tenham sempre
aparecido.



0 comentários:
Enviar um comentário