O Benfica perdeu, hoje, com o Bayern de Munique por 1-0, num jogo a contar para os quartos de final da Liga dos Campeões. No Allianz Arena, os encarnados quase conseguiram resistir ao poderio dos alemães.
Foi um Benfica personalizado e a jogar como equipa grande, aquele que defrontou esta terça-feira a formação de Pep Guardiola. As águias sofreram o primeiro e único golo da partida ao minuto 2, por intermédio de Arturo Vidal, num cabeceamento indefensável já à entrada da pequena área.
Rui Vitória fez alinhar o mesmo onze da última partida e revelou coragem ao apresentar a estrutura ofensiva habitual com dois avançados: Jonas e Mitroglou.
Rui Vitória fez alinhar o mesmo onze da última partida e revelou coragem ao apresentar a estrutura ofensiva habitual com dois avançados: Jonas e Mitroglou.
O histórico era inequívoco. Nas três visitas do Benfica a Munique, para defrontar o Bayern, o "melhor" que as águias tinham conseguido foi uma derrota por 4-1. E aconteceu duas vezes: primeiro, na Taça dos Campeões Europeus, em 1981/82; depois, para a Taça UEFA, em 1995/96. Pior só mesmo o embate em 1975/76, curiosamente também nos quartos de final da Liga dos Campeões, à data denominada Taça dos Campeões Europeus, onde os portugueses acabaram derrotados por esclarecedores 5-1.
Não se estranhou, portanto, que ao longo da semana tivesse sido vaticinado que o Sport Lisboa e Benfica não fosse sobreviver aos campeões alemães, no Allianz Arena. Pese a derrota, os encarnados não só sobreviveram, como conseguiram mesmo viver em Munique.
No teste alemão, o Benfica reprovou com 9.4. Uma derrota, embora por números nada expressivos, não permitiu a aprovação, mas permite que a equipa que representa Portugal continue dentro da eliminatória e à procura da décima que lhe falta recuperar para seguir em frente. A décima que faltou na eficácia, a décima que faltou no detalhe do golo sofrido muito cedo e a décima que faltou por estar a jogar num terreno hostil.
Eu considero que existem vitórias morais - não muitas, mas existem - e esta tem de ser uma delas. Hoje o Benfica não se apresentou ao seu melhor nível. Apresentou-se acima do seu melhor nível e foi por isso que, mesmo perdendo, conseguiu fazer história ao sofrer a sua derrota mais curta de sempre, em casa do colosso Bayern de Munique. Uma derrota que está expressa nos números, mas certamente não estará expressa na cabeça de jogadores e adeptos, até porque numa eliminatória um jogo equivale apenas a uma parte, estão jogados 90 dos 180 minutos que irão definir realmente quem vencerá a guerra. Para já, sabemos apenas quem venceu a primeira batalha.
Mas desengane-se aquele que pense que agora, a jogar dentro de portas, o Benfica assume a posição de favorito. As hipóteses continuam remotas, mas finalmente é possível falar-se disso: de hipóteses. O Benfica volta a ter que fazer melhor do que fez na sua história. Em Portugal, as águias somam dois empates e uma derrota nos três jogos realizados frente ao Bayern. É imperativo, por isso, que volte a aparecer o melhor Benfica da época, aquele que venceu e convenceu, na Luz, nos 5-1 aos Braga, ou aquele que defendeu e sofreu, em Espanha, na vitória por 1-2 sobre o Atlético de Madrid.
O Bayern terá certamente a palavra mais importante da eliminatória. Mais que mérito do Benfica, houve demérito dos alemães, que não apresentaram o futebol que já nos habituaram esta temporada, suspirando os portugueses por voltar a encontrar a desinspiração de Muller e companhia. E é por pensar no eclipse de Muller, que abro janela para aqueles que na minha opinião foram os destaques pela positiva, mas também pela negativa...
Fejsa 9 - O médio defensivo do Benfica foi o melhor jogador em campo. Intenso durante os 90 minutos, dominou nos duelos individuais e barrou estrategicamente os caminhos da baliza encarnada. Esteve a bom nível também na primeira fase de construção do processo ofensivo das águias.
Ederson 8 - O guarda-redes brasileiro fez um pouco de tudo e tudo bem. Defendeu o que havia para defender, comandou o sector defensivo e conseguiu até adivinhar a execução de um lance de bola parada estudado pela equipa adversária. Não podia fazer nada no golo.
Arturo Vidal 8 - O médio chileno foi dos poucos ao seu melhor nível no conjunto alemão. Muito rotativo e constantemente à procura de beneficiar da sua condição física, acabou por ser coroado com o golo da vitória logo nos primeiros minutos, estando perto de marcar, novamente de cabeça, noutra ocasião.




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